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Coçar os olhos em excesso pode causar danos à visão

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O simples hábito de coçar os olhos com frequência pode ser prejudicial para a visão, porque agrava um distúrbio chamado de ceratocone, responsável pela deformação da córnea.

A córnea deformada pelo ceratocone gera astigmatismo, cujo sintoma é a visão turva, fazendo com que o indivíduo tenha dificuldades para enxergar com nitidez até mesmo com óculos, em alguns casos.

O ceratocone é uma doença em que a córnea (uma espécie de vidro de relógio na frente do globo ocular, mas de consistência gelatinosa) é mais maleável do que o normal.

 

“Muitas pessoas têm ceratocone e não sabem”, explica o médico oftalmologista Wallace Chamon, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

O Brasil não tem dados oficiais sobre a incidência de ceratocone na população.

Estudos já identificaram que há componentes genéticos responsáveis por essa deficiência na textura da córnea. A incidência é maior, por exemplo, em portadores de Síndrome de Down.

No entanto, o hábito de coçar os olhos em quem não sabe que tem ceratocone, especialmente crianças e adolescentes, pode agravar a doença, explica o médico.

“Como não tem como saber, melhor não coçar. Em uma pessoa normal, teria que ser uma força muito grande e constante, mas não é o caso de quem tem ceratocone”, acrescenta.

Chamon ressalta que “99% dos pacientes diagnosticados com ceratocone coçam os olhos, mas nem todo mundo que coça os olhos tem ceratocone”.

Por outro lado, o oftalmologista Rubens Belfort Neto, também da Unifesp, pondera que “acordar e dar uma coçadinha nos olhos não faz mal”.

“Para alguns grupos de pacientes, coçar os olhos pode prejudicar a visão. Além de ter a predisposição, tem que avaliar a intensidade e a duração [do hábito de esfregar os olhos].”

Segundo Belfort Neto, a atenção é maior em pessoas que sofram constantemente com alergias nos olhos.

“Se a coceira é permanente, tem que investigar a causa, que provavelmente é alergia; secura e alergia caminham juntas”, observa.

A córnea de uma pessoa endurece com a idade, normalmente depois dos 30 anos. Passada essa fase, é mais difícil que o ceratocone se agrave por coçar os olhos.

No entanto, o Chamon enfatiza a importância do diagnóstico precoce, porque a doença tem níveis de evolução.

“No primeiro nível, não precisa de óculos; no segundo, precisa de óculos para astigmatismo, mas resolve; no terceiro, mesmo com óculos não corrige, aí se usa uma lente de contato dura; o quarto nível seria aquele em que a lente não para no olho, casos em que precisa de uma cirurgia, que é um transplante de córnea ou um implante de anel plástico dentro da córnea.”

Quando identificado cedo, a progressão do ceratocone pode ser contida por um procedimento cirúrgico em consultório, chamado de crosslink.

“Esse tratamento consiste em um raio ultravioleta que reage com a vitamina B2, e conseguimos deixar a córnea mais rígida.”

O mais importante, segundo o médico Belfort Neto, é procurar atendimento especializado em caso de dúvida.

“Se quando comparar a visão de um olho com outro, perceber que não enxerga bem, precisa ir ao oftalmologista”, recomenda.

Informações: Site Notícias R7

 

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