Canguçu, sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Menu

Operação Expurgo investiga ‘rachadinha’ na Câmara de Pelotas

Presidente da Câmara, Michel Promove, e os vereadores Cesinha e Cauê Fuhro Souto estão entre os investigados; 33 mandados foram cumpridos em Pelotas e Capão do Leão


O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, nesta sexta-feira (14), a Operação Expurgo, que investiga a prática de “rachadinha”, lavagem de dinheiro e possível infiltração de organização criminosa na estrutura administrativa da Câmara Municipal de Pelotas.

Entre os investigados estão o presidente da Câmara, Michel Promove (PP), e os vereadores Cesinha (PSB) e Cauê Fuhro Souto (Podemos). Além dos parlamentares, a investigação envolve assessores parlamentares, servidores e particulares.

Coordenada pelo 10º Núcleo Regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO — Sul), a operação cumpriu 33 mandados de busca e apreensão em Pelotas e Capão do Leão. Ao todo, são 20 alvos, sendo 19 pessoas físicas e uma pessoa jurídica.

Investigação

Segundo o MPRS, a apuração aponta para a possível exigência de parte dos salários de servidores comissionados por agentes públicos. Conforme os elementos reunidos até o momento, ocupantes de cargos comissionados seriam obrigados a repassar parte de seus vencimentos, pagos com recursos públicos, a terceiros ligados ao esquema.

Os valores, de acordo com a investigação, seriam posteriormente ocultados e movimentados em benefício particular, o que também levou à apuração de possível lavagem de dinheiro.

O GAECO investiga ainda a possível utilização de cargos na estrutura do Legislativo para beneficiar integrantes de organização criminosa, além do uso de recursos públicos para quitar dívidas relacionadas à agiotagem e movimentar valores de origem ilícita.

Buscas na Câmara

Das 33 ordens judiciais, cinco foram cumpridas em dependências da Câmara Municipal de Pelotas, incluindo gabinetes parlamentares e locais de trabalho de servidores investigados.

Durante as diligências, foram apreendidos documentos, mídias eletrônicas e R$ 96 mil em dinheiro com dois vereadores e um assessor parlamentar.

O objetivo das buscas é reunir novos elementos para aprofundar a apuração de possíveis crimes de organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, usura (agiotagem) e outros ilícitos que possam ser identificados durante a investigação.

Origem da investigação

De acordo com o GAECO, o caso teve origem em informações prestadas espontaneamente ao MPRS por um ex-secretário municipal e dois servidores da Câmara. Os relatos foram posteriormente corroborados por documentos, provas digitais e dados financeiros obtidos com autorização judicial.

A operação foi coordenada pelo promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas e contou com o apoio da Brigada Militar. Também participaram da ação os promotores de Justiça José Alexandre Zachia Alan, Érico Rezende Russo e Mateus Stoquetti de Abreu.

As investigações seguem em andamento para esclarecer a participação dos envolvidos e dimensionar os fatos apurados.