Canguçu, sábado, 27 de junho de 2026
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O orgulho de ser canguçuense atravessa distâncias

No aniversário de 169 anos, filhos da terra compartilham lembranças, aprendizados e mensagens de carinho ao município


Morar em outro lugar pode mudar a rotina, o endereço e até os hábitos, mas dificilmente apaga as raízes. Neste 27 de junho, quando Canguçu celebra 169 anos de emancipação, o Canguçu Online ouviu quatro filhos da terra que hoje vivem em diferentes cidades para responder a uma pergunta: o que Canguçu representa em suas vidas? Entre lembranças da infância, da família, dos amigos e da cultura local, as respostas revelam que o vínculo com a terra natal permanece vivo, independentemente da distância. As respostas têm histórias diferentes, mas convergem em sentimentos parecidos: saudade, gratidão, orgulho e esperança. Confira:

Foto: Arquivo Pessoal

“Canguçu me deu a base que levo para todos os lugares.”
— Miriam Nogueira

A estudante de Jornalismo Miriam Nogueira, hoje morando em Pelotas, lembra que crescer em uma cidade onde todos acompanham a trajetória uns dos outros foi determinante para sua formação. Foi em Canguçu que iniciou sua vida profissional, construiu amizades, enfrentou desafios e deu os primeiros passos na comunicação, experiências que, segundo ela, ajudaram a moldar a pessoa que é hoje.

Mais do que sentir falta da cidade, Miriam afirma sentir saudades da família, dos amigos e do acolhimento característico do município. Para ela, Canguçu tem um ritmo diferente, onde sempre há um rosto conhecido e as raízes permanecem presentes. Ela acredita que foi na cidade que aprendeu valores como dedicação, simplicidade e trabalho, além de ter encontrado oportunidades que abriram portas para sua trajetória profissional. No aniversário de 169 anos, deseja que o município continue valorizando quem faz a diferença na comunidade e incentivando os jovens a construírem seus sonhos, dentro ou fora da cidade.

Foto: Arquivo Pessoal

“Até o frio de Canguçu ensinou uma importante lição: a resiliência.”
— Marcus Vinicius Ribeiro

Já Marcus Vinicius Ribeiro, morador do Rio de Janeiro há mais de duas décadas, faz praticamente uma viagem no tempo ao recordar a Canguçu das décadas de 1970 e 1980. Suas lembranças passam pelo Cine Glória, pelos carnavais do Clube Harmonia, pelos blocos de rua, pelas disputas entre as bandas escolares, pelos bailes, circos, bares tradicionais e pelos jogos do Trianon, além de uma intensa vida cultural que, segundo ele, marcou uma geração inteira.

Mesmo distante, Marcus nunca rompeu os laços com a terra natal. Mantém contato com familiares e amigos, participa da Rádio Canguçu FM e faz questão de levar para o Rio de Janeiro produtos típicos do município, como a tradicional linguiça e a famosa “cachaça azulzinha”, apresentando um pouco de Canguçu aos amigos cariocas. Para ele, foi na convivência com a família e com o povo canguçuense que aprendeu valores como honestidade, simplicidade, respeito e trabalho. Com bom humor, diz que até o rigoroso inverno da cidade ajudou a formar seu caráter, ensinando resiliência para enfrentar os desafios da vida. Em sua mensagem, deseja que Canguçu siga sendo uma cidade próspera, organizada e acolhedora.

Foto: Arquivo Pessoal

“Aprendi a amar minha cidade e levá-la o mais longe possível com honra e orgulho.”
— Paulo Paz (Chiquinho)

Quem também leva Canguçu com orgulho por onde passa é Paulo Paz, o Chiquinho, ex-jogador e atual técnico das categorias de base do Internacional. As lembranças mais marcantes remetem à infância, especialmente aos momentos vividos em família, quando a mãe levava laranjas para um morro próximo ao hospital, onde brincavam de soltar pipa e jogar bola. Memórias simples, mas que permanecem vivas até hoje.

Chiquinho conta que sente falta da tranquilidade da cidade e das pessoas que fizeram parte de sua infância, entre familiares, amigos e conhecidos. Segundo ele, foi em Canguçu que aprendeu valores como respeito, educação, amizade e gentileza, ensinamentos que continuam presentes em sua vida pessoal e profissional. Seu desejo é que cada canguçuense cuide e valorize o município, preservando aquilo que faz da cidade um lugar tão especial.

Foto: Arquivo Pessoal

“Fico orgulhoso quando vejo um canguçuense se destacando pelo mundo.”
— Diego Vilela

Fundador do Canguçu Online e morador de Porto Alegre desde 2013, Diego Vilela guarda lembranças que se misturam à própria história do município. Entre elas, destaca o casamento realizado em Canguçu, em 2022, reunindo familiares e amigos em um momento especial, além dos anos em que esteve à frente do portal, contribuindo para transformar a forma como a comunidade acompanhava as notícias locais.

Hoje, pai da pequena Antonella, Diego afirma que a maior saudade é da família e dos amigos que permanecem em Canguçu. Também recorda com carinho os tempos do bloco Não Boca, criado em 2003, que mais tarde se transformou em uma equipe tradicional do futsal canguçuense. Para ele, crescer em uma cidade onde as pessoas convivem de forma próxima despertou um forte senso de responsabilidade, solidariedade e empatia. Ao celebrar os 169 anos do município, destaca o orgulho de ver canguçuenses se destacando em diferentes áreas e deseja que os jovens encontrem cada vez mais oportunidades para desenvolver seu talento sem perder o vínculo com suas origens.

Canguçu, berço de histórias e de gratidão

Apesar das histórias diferentes, as quatro entrevistas revelam algo em comum: Canguçu continua presente no cotidiano de quem construiu novos caminhos sem deixar para trás suas origens.

Seja nas lembranças da infância, nos sabores da culinária típica, nos amigos que permaneceram, nas raízes familiares ou nos valores aprendidos ao longo da vida, o município segue ocupando um espaço afetivo que o tempo e a distância não conseguem apagar.

Neste aniversário de 169 anos, as mensagens deixadas pelos entrevistados também apontam para o futuro. Todos desejam que Canguçu continue crescendo, oferecendo oportunidades às novas gerações, valorizando as pessoas que fazem a diferença e preservando aquilo que sempre foi sua maior riqueza: sua gente. Porque, para quem nasceu aqui, a distância pode mudar o endereço, mas dificilmente muda o sentimento de pertencer nesta terra.