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Canguçu teve aumento de 100% de homicídios em 2019

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Uma análise do Grupo de Estudos em Segurança Pública do Gitep, programa de pós-graduação em Política Social e Direitos Humanos, da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), sobre os homicídios cometidos na Zona Sul do Estado – composta por 29 cidades – mostra que a região registrou queda de 26% no número de vítimas de assassinatos em comparação aos anos de 2018 e 2019.

CANGUÇU TEVE AUMENTO DE 100% EM HOMICÍDIOS DE 2018 PARA 2019
Em sete municípios – 24% -, no entanto, ocorreu aumento. Canguçu apresentou elevação de 100% nos homicídios. Em 2018 foram cinco pessoas mortas e o ano passado o número subiu para dez. No mesmo sentido, Turuçu, que há cinco anos não registrava um assassinato, contabilizou dois casos em 2019. Já São José do Norte apresentou queda de 72,2%, no comparativo.

Entre os municípios de grande porte, Rio Grande foi o que apresentou a queda mais expressiva, de 60, em 2018, para 38 vítimas em 2019, o que representa uma redução de 36,6%. Em Pelotas, a queda foi um pouco menor, 19,7%, reduzindo de 71 para 57 vítimas.

O professor da UCPel e responsável pelo estudo, Samuel Rivero, avalia que a queda de 26% no número total de vítimas, no conjunto da Zona Sul, representa a continuidade de um movimento que já vinha ocorrendo desde o ano anterior. “No geral, o que se verifica é que em 62% dos municípios, o que representa 18 cidades, ou os números aumentaram ou se mantiveram iguais aos do ano passado”, considerou.

Rivero destaca que a compreensão para a variação é bastante complexa. Violências e mundo do crime são fenômenos multidimensionais, os quais envolvem uma série de fatores e elementos desencadeadores. Segundo ele, as relações regionais também devem ser levadas em consideração, inclusive com o deslocamento da violência para as áreas com menor investimento em políticas públicas de segurança. “Atribuir exclusivamente a iniciativas incipientes e pontuais a diminuição dos registros de homicídios em determinados municípios é, além de simplista, uma atitude temerária.”

Para o professor, a devida compreensão desses fenômenos passa por um contínuo registro e sistematização dos dados, por estudos aprofundados da relação e influência de fatores populacionais, sociais e estruturais peculiares à região e por uma melhor análise do contexto dos municípios da Zona Sul. “Focar tão somente nos limites geográficos municipais é não só uma maneira restrita de enxergar o problema, como, também, um erro estratégico no seu enfrentamento. O fomento a um Observatório de Segurança da Zona Sul, favorecendo a integração e a cooperação para o desenvolvimento de estudos e estratégias conjuntas, é um primeiro e definitivo passo nesse sentido”, avaliou.

 

Informações: Giulliane Viêgas – Diário Popular

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