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Volnei Santos: Um baque para pensar

Olhe, meu amigo, como são as coisas mesmo! Até poucos dias estávamos nós numa frenética correria da vida. Muitas coisas a fazer, rios de planos, escassas horas de sono. A aparente necessidade urgia trabalho e mais trabalho, dinheiro na carteira, no banco, nas ações, fundos de investimentos… e, claro, dívidas a pagar – e por aí a fora. E junto a isso, aquela desculpinha nossa de sempre… a de que não temos tempo pra coisas mais simples do cotidiano. Jogar conversa fora com o amigo, uma atenção aos filhos, um agrado pro cachorro, um tempo pra si…

Pois é. A vida é pequena mesmo. Agora com essa tragédia, esse vírus, o tal corona, colocou-nos de joelhos, deixou-nos impotente, freou bruscamente nossa trajetória. Você que até esses dias se sentia um gigante, um deus diante das ações proferidas por próprias forças… agora se vê preso entre quatro paredes a torcer que a sombra da morte não toque a campanhia da sua casa. Forçadamente, tivemos que mudar a vida, o jeito de fazer a vida, o modo de viver – reaprender.

De repente, não mais que de repente, parafraseando Vinícius de Moraes, no ilustre poema, aprendemos e nos damos conta do que realmente é importante. Pena que diante de uma situação de risco como essa. Pena que muitas vezes só assim nos desacomodamos e encontramos o real sentido de nossa existência. A bem da verdade, nesse mundo de hoje, a ilusão embala os propósitos disso e daquilo…  Veja, tem muita gente que tem o melhor plano de saúde, uma gorda conta bancária, os melhores médicos… e não consegue se salvar!

Muito se quer. Muito queremos. Você deve achar que eu esteja numa profunda melancolia ao traçar essas palavras… Não. Não mesmo! Esse episódio todo só destaca uma coisa: viver é o mais importante, estar vivo, respirar todos os dias, ver o sol nascer e se pôr e ter a certeza de que ali adiante há mais um dia para estar nesse mundo, vivo e são!

Nesse contexto, carro de luxo, grifes, ostentação, os “eus”… tudo em vão. Todos nivelados pelo medo de abandonar forçosamente a própria vida!

Mas, meu caro, apesar desse lado mais assustador, fica a lição: às vezes, é preciso um baque, como diz o bom gaudério, pra que a gente se situe no que realmente importa nessa vida e deixe de se iludir com coisas ilusórias, supérfluas que em nada acrescentam ao nosso viver.

Bem, vou me recolher. Nessa hora, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém!

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