Arion Braga confirma concurso público em Canguçu: “O concurso público é um fato consumado, ele vai sair. Até o meio do ano, nós queremos verdadeiramente realizá-lo”
Em entrevista exclusiva ao Canguçu Online, o prefeito fala sobre o prazo para o concurso público, as negociações salariais com os servidores, investimentos com recursos de empréstimo, os próximos passos da administração e as relações institucionais em ano eleitoral
O prefeito de Canguçu, Arion Braga (Progressistas), concedeu entrevista exclusiva ao Canguçu Online na qual detalhou os principais desafios e prioridades da gestão neste início de 2026. Entre os temas abordados estão a previsão concreta para a realização do concurso público, a situação financeira do Município, as negociações com o funcionalismo, os investimentos planejados com recursos de operação de crédito aprovada pela Câmara de Vereadores, além do posicionamento do Executivo frente às relações institucionais em um ano eleitoral.
Online: Prefeito, após a internação por um AVC transitório no ano passado, como está sua saúde hoje e como tem sido a retomada das atividades à frente do Executivo?
Arion: Pois bem, quero aqui agradecer ao Canguçu Online, à sua direção, ao meu querido amigo Luiz, que está aqui comigo nesta tarde, dizer da satisfação e transmitir um grande abraço a toda a equipe do site, à sua direção, ao quadro de funcionários e também, naturalmente, um abraço muito especial para a comunidade de Canguçu. Graças a Deus, tive um período, desculpa, um tanto quanto conturbado, mas hoje, graças a Deus, está tudo muito bem, tudo andando bem, e a saúde melhora a cada dia.
Online: Existe hoje uma previsão concreta para a realização de concurso público em Canguçu em 2026? Para quais áreas e em que prazo a Prefeitura trabalha?
Arion: Bom, o concurso público é um fato consumado, ele vai sair. Isso é um dos pontos. O concurso público vai ser efetivado, vai sair. O nosso planejamento só não está na rua ainda porque nós temos essa primeira etapa agora, neste momento, que é a questão — e quero aqui também aproveitar e pedir muito ao Canguçu Online — do processo seletivo que ocorre neste final de semana, com as provas para os contratos, principalmente na área da educação. Nós temos contratos em que as provas serão realizadas agora, no próximo domingo. Passada essa etapa, ali para os meses de março, abril, até o meio do ano, nós queremos verdadeiramente realizar o concurso público, efetivando-o e, naturalmente, realizando as provas.
Foi um compromisso meu e elas serão feitas, não sei se na totalidade, mas quase que toda a totalidade, posso dizer assim, dos cargos que verdadeiramente fazem falta em todas as áreas e secretarias do município de Canguçu.
Online: O senhor recebeu nesta semana o SIMCA com proposta de reajuste da data-base. Em que estágio está a negociação e qual a faixa de reajuste que a Prefeitura considera possível? Fala-se em algo próximo de 8%, esse percentual procede? Além do reajuste salarial, o vale-alimentação também está sendo discutido? Há possibilidade de reajuste ainda neste ano?
Arion: Primeiro, o que a Prefeitura vai dar de aumento? Nós trabalhamos e estamos trabalhando sempre para tentar dar o maior índice possível. Qual é o maior índice hoje? Está em torno de seis vírgula alguma coisa, quase 7%, via salário mínimo. Então, nós vamos trabalhar em cima do salário mínimo, correto? Se vamos conseguir dar 8%, 9%, 10%, 7% ou pontualmente aquilo que o salário mínimo determina. Estamos trabalhando a questão financeira e orçamentária para ver até onde podemos chegar. No ano passado, quando eu cheguei à Prefeitura, em fevereiro, demos 8%, acima do índice do salário mínimo, que sempre é a minha intenção. Estamos trabalhando para ver até onde podemos chegar. Quero muito dar a reposição acima do índice do salário mínimo, quem sabe dar 8% ou mais. Vai ser possível? Hoje, ainda, eu tenho que ter responsabilidade, não posso afirmar, mas é dali, do índice do salário mínimo para cima, dentro das possibilidades, correto?
Sobre o ticket-alimentação, é um compromisso de campanha. Tudo aquilo que eu der de margem no salário, darei no ticket. Ele não vai ficar adormecido. Relembro que, no ano passado, foi 8% no salário e 12% no ticket. Este ano, de igual forma, estamos trabalhando para dar, no mínimo, aquele compromisso que eu tenho, ou seja, o mesmo índice que eu der no salário, mas também temos que ver se conseguimos alcançar algo a mais. Não é promessa, tem que ter muita responsabilidade no que eu falo, mas estamos trabalhando para chegar ao maior índice possível, tanto na reposição salarial quanto no ticket, que sempre foi esse compromisso que eu assumi.
Existem outras questões que precisamos tratar com muita responsabilidade, como o que vem aí também, que é um compromisso meu e que terei que cumprir agora durante este período, mas eu não tenho problema nenhum em reconhecer que já era para ter cumprido, que é a questão do acerto dos padrões do nosso funcionalismo público.
Também há a questão desta semana, sancionada pelo Presidente, relativa ao aumento do piso dos professores. Isso tudo vem junto, na mesma viagem, na mesma carona. Tem também a questão do magistério, sobre o aumento que será dado, conforme o que o Governo Federal determina.
Há ainda a questão da pandemia, da adequação daquela perda que as pessoas tiveram naquele período, do congelamento, para que, daqui para frente, a gente cumpra o que a lei determina e também reveja o que ficou para trás. Enfim, são todas questões que mexem diretamente com a vida do servidor público.
Online: Recentemente, a Prefeitura realizou uma mini reforma administrativa, com troca de padrões em alguns cargos em comissão e a criação de novos CCs. Está prevista uma nova reforma administrativa mais ampla em relação aos cargos em comissão? Qual foi o objetivo dessas mudanças e como elas se inserem na organização da gestão?
Arion: Isso é importante para o público. Momentaneamente, estou satisfeito. Eu acho que não há por que estarmos mexendo mais. O que eu adequei foi diminuir um pouco o valor gasto pela Prefeitura. Nós estávamos gastando um valor X e reduzimos para um valor Y. Por exemplo, se eu gastava 10, hoje estou gastando 8 ou 9. Diminuiu-se, ali, o valor do gasto com aqueles CCs. Ao mesmo tempo em que cortei, fiz uma reforma, reduzi cargos que ganhavam um pouco a mais, exonerei esses cargos e criei alguns outros, porém gastando menos. Aumentei alguns cargos, mas com redução do custo total.
Online: No último ano, a Câmara de Vereadores aprovou um empréstimo para o Município. Em que estágio está a assinatura dessa operação de crédito e como a Prefeitura pretende conduzir a execução desses recursos? Quais áreas devem ser priorizadas e quais cuidados estão sendo adotados para garantir responsabilidade fiscal e transparência?
Arion: Bom, eu sou muito grato. Quero agradecer aqui à maioria da Câmara. Tenho respeito por toda a Câmara, pois estive lá há muitos anos e fiz bons debates, ora cobrando muito, mas nunca atrapalhei nenhum governo. E, historicamente, a Câmara nunca atrapalhou. Há o debate político-partidário, de interesses, mas o parlamento nunca foi problema para prefeito nenhum. Eu estive lá por 24 anos, estive na situação, estive na oposição. Fizemos grandes debates? Fizemos, mas a Câmara nunca atrapalhou o governo. E eu também aqui não estou me queixando da Câmara, muito pelo contrário, ela tem o meu respeito. Os R$ 35 milhões estão aí. Todo mundo sabe dos investimentos que serão feitos: maquinário, melhoria das nossas estradas, principalmente, que é uma grande questão; investimentos na saúde, como compra de equipamentos; construção do novo pronto-socorro e de um posto de saúde na Vila do Prado.
Tem também a construção de um posto de saúde no interior, a compra de maquinário para melhorar a limpeza e o cuidado da nossa cidade. Reforço a construção do novo pronto-socorro, totalmente novo, moderno, que vai valorizar e dar mais condições tanto para os profissionais que lá trabalham quanto para oferecer um atendimento digno, principalmente para o paciente que busca aquele serviço.
Vamos remodelar e recuperar a Casa de Vidro e fazer a rua coberta em frente a ela. Vamos restaurar tanto a Praça Central quanto a Praça dos Macacos, próxima ao ginásio. Vamos investir forte na pavimentação dentro da cidade, com calçamento de ruas, e também pavimentar, como foi compromisso meu, a Avenida 20 de Setembro. Enfim, são várias ações de governo. Algumas obras vamos começar este ano, outras no próximo, mas, principalmente, o que eu quero é que, ao final do meu governo — não será fácil — eu possa entregá-las à nossa comunidade.
Online: Como o senhor projeta as relações institucionais do Executivo em ano eleitoral?
Arion: Eu não tenho problema nenhum e sou muito grato ao governador Eduardo Leite, que tem o meu respeito. Tenho um ótimo relacionamento pessoal com ele, pois fomos colegas vereadores. Conversamos com tranquilidade, como o Luiz e eu estamos aqui agora.
Nesta semana mesmo, conversei pessoalmente com ele no Palácio. Tenho uma relação de amizade com o governador, que é uma grande figura que eu respeito. Sou muito agradecido ao governo estadual por tudo o que tem ajudado o município de Canguçu.
Eu não tenho problema com partido. Sabe qual é o partido que eu defendo? É o “P” do povo. Esse é o partido que eu defendo. O Eduardo Leite, para mim, é um grande governador. O Lula, para mim, é um grande presidente e tem ajudado muito. Quem não gosta do Lula, o problema não é meu. Ele é o presidente, e eu preciso dele para ajudar Canguçu. Onde eu vou pedir socorro? No governo federal e no governo estadual. E tenho a grandeza de reconhecer que eles têm nos ajudado, assim como deputados de todos os partidos. Isso é relação de respeito institucional entre os poderes. Tenho muito respeito pelo presidente Lula e pelo governador Eduardo Leite. O partido deles, para mim, não me interessa. Todos os deputados que vêm aqui ajudar Canguçu, sejam do meu partido ou de outros, são recebidos com carinho e respeito, porque vêm trazer boas notícias e ajudar o povo.
Haverá eleição, e quem vai ganhar eu não sei, mas quem for eleito presidente terá sempre o mesmo respeito. Vou bater na porta do novo presidente e do novo governador, como faço hoje. Vou votar em alguém, como todo cidadão brasileiro, mas, se aquele que eu escolher não for o vitorioso, respeitarei da mesma forma, porque eu preciso da ajuda do governo federal e do governo do Estado para entregar ao povo de Canguçu aquilo que ele merece.
Online: Para encerrar, quais são as prioridades da gestão neste início de 2026 e a mensagem do senhor aos servidores e à população de Canguçu?
Arion: Primeiro, tenho que agradecer ao Canguçu Online pela oportunidade de falar com a comunidade sobre nossos planos e metas.
Estamos trabalhando com muita vontade, afinco e dedicação. Teremos muitos investimentos. Já recuperamos muitas escolas, fizemos investimentos na educação, com compra de veículos, e também na assistência social. Hoje, verdadeiramente, temos uma assistência social que atende o povo carente e mais necessitado. Na área da saúde, fizemos vários investimentos e vamos ampliar ainda mais, com novos equipamentos, para dar condições de um atendimento digno às pessoas, não só no pronto-socorro, mas também em exames. Enfim, para cuidar da vida das pessoas.
Quero dizer ao povo de Canguçu: vocês que confiaram no Arion, no Ariel e na nossa equipe, saibam que, embora eu não consiga agradar 100% das pessoas — e tenho humildade para reconhecer isso — seguimos trabalhando com responsabilidade. Muitas vezes, precisamos tomar decisões que não são simpáticas para todos. Mas, por onde ando, agradeço o carinho e o respeito da comunidade, que tem aprovado o nosso governo e dito que estamos no rumo certo. Falta muita coisa para entregar, ainda está aquém do que eu gostaria e do que a população merece, mas sigam confiando, acreditando e apoiando, porque temos muitas coisas boas para entregar e melhorar a vida do povo de Canguçu.
Ouça a íntegra da entrevista: