Canguçu, sexta-feira, 6 de março de 2026
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RS registra um feminicídio a cada três dias em 2026

Com sete mortes em 21 dias, estado vive alerta; em Canguçu, Letícia Rodrigues foi morta por companheiro que já havia sido preso por descumprir ordens judiciais


O Rio Grande do Sul enfrenta um início de ano violento para as mulheres. Em apenas três semanas de 2026, o estado já registrou sete feminicídios, superando o total de mortes ocorrido em todo o mês de dezembro de 2025. A média assustadora de um crime a cada três dias reflete um cenário onde ciúmes e a não aceitação do término de relacionamentos por parte de namorados e ex-companheiros são as principais motivações.

As vítimas, com idades entre 15 e 59 anos, deixam rastros de dor em diversas regiões, desde a capital até pequenos municípios da Serra. Em resposta, a Polícia Civil realizou uma força-tarefa que prendeu mais de 20 suspeitos em 24 horas.


Canguçu: Letícia tinha medida protetiva e agressor já havia sido preso

Entre as histórias que compõem essa estatística trágica, o caso de Letícia Foster Rodrigues, 37 anos, destaca-se pela reincidência da violência e pelo descumprimento de ordens judiciais em Canguçu.

Letícia foi encontrada morta há uma semana, em uma área de mata na zona rural, com uma marca de corte no pescoço. O principal suspeito é seu companheiro, de 36 anos, que foi localizado e preso a mais de 200 km de distância do local do crime.

Diferente de outros casos recentes no estado, Letícia possuía medida protetiva de urgência vigente contra o agressor. O histórico de violência era grave: o homem já havia sido preso no final de 2025 justamente por descumprir as medidas que deveriam garantir a segurança da vítima. Letícia deixa dois filhos, sendo um deles fruto do relacionamento com o próprio agressor.


Outras vítimas da violência de gênero no RS em 2026

A brutalidade se repetiu em outras cidades gaúchas nestas primeiras semanas de janeiro:

  • Sapucaia do Sul: Mirella Santos, de apenas 15 anos, foi morta a facadas pelo namorado de 25 anos. Ela chegou a ser acompanhada pela Patrulha Maria da Penha, mas pediu o encerramento da proteção no dia 6 de janeiro.

  • Porto Alegre: Dois casos foram registrados; Paula Gabriela Torres Pereira, 39 anos, morta em uma parada de ônibus durante disputa judicial pela guarda do filho, e Josiane Natel Alves, 32 anos, assassinada com nove facadas na frente da filha.

  • Guaíba: A bombeira civil Gislaine Duarte, 31 anos, foi morta pelo ex que tentou simular um suicídio para enganar a polícia.

  • Santa Rosa: Marinês Schneider, 54 anos, foi morta a tiros dentro de casa por um ex-companheiro que pulou o portão da residência. Ela tinha medida protetiva contra o suspeito.

  • Muitos Capões: Uliana Fagundes, 59 anos, foi assassinada pelo ex-marido logo após ambos assinarem o divórcio.


Como denunciar e buscar ajuda

As autoridades reforçam que a denúncia é o primeiro passo para tentar interromper o ciclo de violência.

  • Emergência (no momento da agressão): Ligue 190 (Brigada Militar).

  • Orientação e Direitos: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 0800-644-5556 (Defensoria Pública).

  • Registro e Proteção: É possível fazer o boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas em qualquer delegacia física ou de forma virtual pela Delegacia Online.