Redes de apoio e canais de denúncia: as ferramentas no combate à violência contra a mulher
Diante do aumento de 10% nos índices de feminicídio em 2025, o Centro de Referência da Mulher Vânia Araújo Machado (CRMVAM) registrou uma elevação na procura por suporte
O enfrentamento à violência de gênero no Rio Grande do Sul conta com uma estrutura que integra segurança pública e assistência social. Mulheres em situação de violência podem buscar auxílio presencial em qualquer delegacia de polícia, onde o procedimento padrão inclui acolhimento e o encaminhamento para os órgãos competentes. Além do atendimento físico, o Estado disponibiliza ferramentas digitais e telefônicas para denúncias e orientações.
Canais oficiais de acionamento
As autoridades dividem as formas de contato de acordo com a gravidade e o momento da ocorrência:
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Emergência (190): destinado a situações de violência em curso ou risco imediato de vida, acionando a Brigada Militar.
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Denúncias Anônimas (181): canal para repasse de informações sobre casos de violência doméstica de forma sigilosa.
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Delegacia Online: plataforma para o registro de boletins de ocorrência e solicitação direta de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) via internet.
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Escuta Lilás (0800 541 0803): serviço focado em acolhimento e orientação técnica, disponível tanto para o público quanto para equipes municipais.
Funcionamento do Centro de Referência
Diante do aumento de 10% nos índices de feminicídio em 2025, o Centro de Referência da Mulher Vânia Araújo Machado (CRMVAM) registrou uma elevação na procura por suporte. Somente entre os meses de dezembro e janeiro, o serviço contabilizou 86 chamadas, com um pico de atendimentos durante os feriados de final de ano.
A equipe, composta por assistentes sociais e psicólogas, atua no direcionamento das vítimas para a rede de proteção. “Realizamos uma escuta qualificada para direcionar essa mulher e sempre pontuamos a necessidade de fazer o boletim de ocorrência, pois essa é a porta de entrada para o abrigamento”, explica a assistente social Marisete Ribeiro.
A estrutura da rede de proteção
O CRMVAM funciona como um eixo articulador entre diferentes instituições. A rede de proteção é composta por órgãos como a Defensoria Pública, unidades hospitalares, Centros de Referência da Assistência Social (Cras), Conselhos Tutelares e as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams).
O aumento na demanda por esses serviços é atribuído, em parte, à circulação de campanhas informativas, como a iniciativa estadual “Não maquie, denuncie”, que visa incentivar o relato de agressões e o uso dos canais formais de proteção.