Canguçu, sexta-feira, 6 de março de 2026
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Corregedoria irá apurar, além da morte de agricultor de Pelotas, possíveis crimes contra a viúva

Coronel Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro disse ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, que espera concluir apuração em menos de 40 dias


O comando da Brigada Militar (BM) confirmou que o Inquérito Policial Militar (IPM) sobre a morte do agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos, terá o escopo ampliado. Além da investigação sobre os disparos que vitimaram o produtor rural na madrugada desta quinta-feira (15), a Corregedoria-Geral irá apurar relatos de humilhações e coação cometidos contra a esposa da vítima, Raquel Nörnberg.

Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta sexta-feira (16), o corregedor-geral da BM, coronel Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, destacou que o depoimento da viúva traz indícios de condutas criminosas graves por parte dos policiais durante a ação.

“Eu tinha medo de morrer”, desabafa Raquel

Raquel Nörnberg relatou momentos de terror dentro da própria residência. Segundo ela, após o marido ser baleado e morto pelos agentes, ela teria sido submetida a humilhações e coagida pelos policiais.

“As pessoas que eram para defender a gente, que eram para estar protegendo a gente, foram as pessoas que mataram meu marido”, falou.

Policiais afastados e origem da operação

Ao todo, 18 policiais militares — integrantes do 4º BPM de Pelotas e do 5º Batalhão de Choque — foram afastados de suas funções operacionais enquanto durar a investigação.

A BM justifica que a operação foi desencadeada após informações vindas da Polícia Militar do Paraná. Segundo a versão oficial:

  • Houve a prisão de dois homens em Guaíra (PR), na fronteira com o Paraguai.

  • A denúncia indicava que a propriedade em Pelotas funcionaria como depósito de drogas e veículos roubados por uma facção criminosa.

  • Acreditando em uma situação de “flagrante”, os policiais entraram na residência sem mandado de busca e apreensão.

O que acontece agora?

A Corregedoria está em Pelotas desde ontem para acelerar a coleta de depoimentos e perícias. O prazo legal para a conclusão do inquérito é de 40 dias.

O coronel Rodrigo Aro evitou julgar antecipadamente a conduta dos PMs, mas garantiu que a tática utilizada e a ausência de mandado serão rigorosamente analisadas. “Uma infeliz coincidência não pode ser tratada como uma regra geral”, afirmou o corregedor, defendendo a instituição, apesar da gravidade do ocorrido.