Viúva de produtor rural morto em ação da BM é ouvida na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS
Raquel Motta relatou abordagem ocorrida em propriedade rural de Pelotas, pediu transparência nas investigações e defendeu uso obrigatório de câmeras corporais
A viúva do produtor rural Roberto Nörnberg, morto durante uma ação da Brigada Militar na madrugada de 15 de janeiro, em Pelotas, foi ouvida na manhã desta quarta-feira (11) pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
A oitiva ocorreu na primeira reunião do colegiado após o reinício das atividades parlamentares e foi conduzida pelo presidente da comissão, deputado Adão Pretto Filho (PT).
Acompanhada dos filhos, Fernanda e Rodrigo, e do advogado Marcelo Oliveira de Moura, Raquel Motta relatou aos deputados a sequência de acontecimentos da madrugada em que o marido foi morto. Segundo ela, o casal acreditou inicialmente que se tratava de uma ação criminosa, mesmo diante do uso de fardas, e afirmou que a residência foi invadida com a porta sendo arrombada, sem apresentação de mandado judicial.
Raquel também declarou que, após a morte do produtor, teria sido submetida a maus-tratos durante a operação. Conforme seu relato, permaneceu ajoelhada sobre cacos de vidro por mais de uma hora, sob pressão para confessar algo que afirmou desconhecer.
Outro ponto levantado foi a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que, segundo ela, teria ocorrido cerca de 28 minutos após o fato, sem uso de sirenes. A viúva pediu transparência nas investigações conduzidas pela Corregedoria da Brigada Militar, incluindo a identificação de quem autorizou a operação.
Durante a oitiva, Raquel defendeu a implementação obrigatória de câmeras corporais pelos policiais militares no Estado, sustentando que o uso do equipamento poderia garantir maior clareza nas ações. Também mencionou a necessidade de exames toxicológicos nos agentes envolvidos.
A família está organizando um abaixo-assinado que deverá ser encaminhado ao governador Eduardo Leite, solicitando providências sobre o caso. O presidente da comissão afirmou que a CCDH acompanhará os desdobramentos e deverá promover audiências públicas em Pelotas para ampliar o debate sobre o ocorrido.
Parlamentares também questionaram, durante a reunião, a ausência de mandado judicial para ingresso na residência, conforme relatado pela família, além da identificação de quem autorizou a operação e dos procedimentos adotados na ação.