Canguçu, domingo, 8 de março de 2026
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Uniões consensuais superam casamentos formais e se tornam o tipo mais comum no Brasil, aponta IBGE

Pela primeira vez, o Censo mostra que 38,9% das pessoas vivem em união consensual, superando os casamentos civis e religiosos (37,9%); tendência é mais forte entre jovens e pessoas sem religião.


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (5) os resultados preliminares do Censo Demográfico 2022: Nupcialidade e Família, revelando uma mudança histórica no comportamento conjugal dos brasileiros. Pela primeira vez, as uniões consensuais — aquelas em que o casal vive junto sem registro civil ou religioso — se tornaram o tipo de união mais frequente no país, representando 38,9% das pessoas que vivem em união conjugal, contra 37,9% de casados no civil e religioso.

O levantamento mostra que esse formato de relacionamento vem crescendo de forma contínua nas últimas décadas: em 2000, representava 29% das uniões; em 2010, 30%; e em 2022 chegou a quase 39%. O fenômeno é mais comum entre pessoas de 30 a 39 anos, sem religião (62,5%) e de menor rendimento domiciliar — entre aqueles com renda de até meio salário-mínimo, mais da metade das uniões (52,1%) são consensuais.

“O aumento na proporção de uniões consensuais reforça as mudanças comportamentais da sociedade brasileira, em que as uniões civis e religiosas perdem espaço para relacionamentos não formalizados”, explica a analista do IBGE, Luciene Longo.

O estudo também aponta que mulheres tendem a se unir mais jovens, embora a diferença de idade em relação aos homens esteja diminuindo. A idade média à primeira união subiu para 25 anos, e o Sudeste concentra as uniões mais tardias, com média de 25,9 anos.

Entre os estados, Santa Catarina (58,4%), Rondônia (55,4%) e Paraná (55,3%) têm as maiores proporções de pessoas vivendo em união conjugal, enquanto Amapá (47,1%) e Distrito Federal (47,7%) estão entre os menores índices.

O levantamento também identificou um crescimento expressivo nas uniões entre pessoas do mesmo sexo, que já representam 0,7% das unidades domésticas, sendo 77,6% delas em uniões consensuais.

Os dados completos estão disponíveis no portal do IBGE, no SIDRA e no Panorama do Censo, e foram apresentados durante evento em Aracaju (SE), com transmissão ao vivo pelo IBGE Digital.