Canguçu, quinta-feira, 23 de abril de 2026
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Romaria de Agroecologia reúne comunidades e reforça resistência no campo em Canguçu

Encontro no Quilombo Bisa Sabina Mendes articulou espiritualidade, produção de alimentos e mobilização social diante dos desafios no meio rural


O município de Canguçu foi palco, no último fim de semana, de um encontro que uniu fé, produção agrícola e organização coletiva. Realizada no Quilombo Bisa Sabina Mendes, no 5º distrito do município, a 4ª Romaria Ecumênica de Agroecologia reuniu agricultoras e agricultores, comunidades quilombolas, assentados e representantes de movimentos sociais em uma programação marcada por reflexões e trocas de experiências.

Ao longo de dois dias, o espaço rural se transformou em ponto de convergência para atividades que envolveram momentos de espiritualidade, debates e vivências práticas. A programação incluiu caminhadas pelo território, seminários, visitas a áreas de produção agroecológica, feira de alimentos e apresentações culturais. A proposta foi fortalecer vínculos comunitários e valorizar saberes tradicionais aliados à produção sustentável.

Um dos pontos altos da romaria foi a caminhada coletiva, realizada dentro do território quilombola, que reuniu participantes em um percurso de oração, música e silêncio. A atividade simbolizou a união entre fé e luta no campo, reforçando o sentido coletivo da mobilização.

Para os organizadores, a agroecologia vai além de uma técnica de cultivo. Ela se apresenta como um modo de vida que conecta produção de alimentos, cuidado com o meio ambiente e fortalecimento das comunidades. Esse entendimento esteve presente nas falas e nas atividades, que buscaram integrar ancestralidade, cultura afrodescendente e práticas agrícolas sustentáveis.

Canguçu, que possui forte presença de comunidades quilombolas e assentamentos da reforma agrária, serviu de cenário para o encontro de diferentes sujeitos do campo. Participaram representantes de movimentos sociais, entidades de assistência técnica, universidades e organizações ligadas à luta por direitos, ampliando o debate sobre o futuro da produção agrícola e da permanência no meio rural.

Durante a romaria, também houve espaço para críticas ao modelo predominante de produção agrícola e para discussões sobre conflitos no campo. A temática da violência rural foi abordada como um desafio persistente, com relatos e reflexões que reforçaram a necessidade de políticas públicas e de maior proteção às comunidades.

Ao reunir espiritualidade, formação política e práticas produtivas, a romaria reafirmou a agroecologia como um caminho de resistência e construção coletiva em Canguçu, fortalecendo redes e projetando novas perspectivas para o campo.