Pesquisa mostra que turismo e exportação geraram mais empregos no país
Municípios com vocação turística ou que se destacam na produção e exportação de commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional) estão contribuindo para a redução do desemprego no país, revela pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento analisou os 5.570 municípios do país, dos quais foi […]
Municípios com vocação turística ou que se destacam na produção e exportação de commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional) estão contribuindo para a redução do desemprego no país, revela pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento analisou os 5.570 municípios do país, dos quais foi feita uma seleção de cidades que empregam pelo menos 10 mil trabalhadores formais. O resultado encontrado abrangeu mais de 660 municípios.
Pensando em ampliar o viés turístico em Canguçu, o Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) elaborou um plano para estabelecer rotas e possíveis destinos a serem procurados pelos visitantes. Com o apoio do Programa de Desenvolvimento Econômico Local (Prodel), a estruturação do projeto tem como base os princípios sustentáveis de equilíbrio cultural, socioeconômico, ambiental e político-institucional.
A ideia deve resultar na ampliação da captação de recursos e parcerias acerca do turismo municipal a partir da construção conjunta entre comunidade, poder público e entidades privadas, os quais se reúnem em diferentes momentos para realizarem a organização das propostas, ideias e participação da população local nesse contexto inédito aos olhos de quem já vive no município.
A promoção do turismo em Canguçu, ainda como novidade, promete utilizar da qualificação e boa localização – às margens da BR 392 – para ampliar o contato da população com o turista, assim, expandindo relações e troca de conhecimentos.
Canguçu: a natureza como foco
Os turistas poderão conhecer de perto e desfrutar de toda experiência na vida do campo, através das mais diferentes propriedades rurais que oferecem a possibilidade de visitação com passeios voltados a contemplação da natureza. Desde trilhas ecológicas, degustação de comidas típicas, participação no cuidado com os animais, até a possibilidade do manuseio dos equipamentos de manutenção rural.
O município que faz parte da Costa Doce apresenta diferentes tipos de atrações, como o ecoturismo, turismo cultural, turismo holístico, turismo pedagógico e turismo científico. De acordo com o plano, o contexto de localização na Serra dos Tapes, o bioma pampa, a agricultura familiar e a grande diversidade étnica são características que fortalecem a região.
Canguçu: os principais destinos
O turismo rural em Canguçu se caracteriza muito por conta dos processos históricos de colonização onde, basicamente, a cultura desse tipo de serviço é voltada à participação da família rural. Os passeios, em sua maioria, possuem ligação com as principais culturas e comunidades presentes na cidade, composta pelos pomeranos, italianos e quilombolas que engrandecem ainda mais a participação dos costumes e culinária.
As propriedades que compõem inicialmente a rota ainda estão em fase de planejamento, estruturação e consolidação das propostas de atividades relacionadas ao turismo, mas já é possível a realização de diversos passeios no município. Possuindo visitação no Sítio das Ervas, Propriedade Bertinetti Peil, Mirante do Cerro e Propriedade Moreira.
Os destinos variam de acordo com a necessidade do visitante, para quem gosta de alimentos coloniais, a Fazenda Martimar pode ser uma boa pedida, o visual aconchegante, os alimentos caseiros e as belezas naturais são a contemplação necessária para os amantes desse tipo de atividade.
A Propriedade Vida na Terra tem a oferecer uma vasta produção de alimentos através da comercialização, variando entre sucos, doces de uva, amora, ameixa, goiaba, pêssego, araçá, butiá, ananás, uvaia, guabiroba, bananas, citrus. O trabalho ali desenvolvido provém da produção da família que atua somente com produção de orgânicos, adubados com insumos produzidos pelos próprios agricultores.
O Sítio Pedra do Luar, conhecido como Rampa de Voo Livre, apresenta atrativos como a ampla área verde, a rampa de voo livre, uma vista panorâmica, almoços produzidos com alimentos típicos, churrasqueiras, açude para alimentação de peixes e trilha. Para visitação, é cobrada uma taxa de R$ 10 por pessoa.
O tradicionalismo também faz parte dos pontos de visitação no município. A propriedade Renato Zanetti apresenta a prática do dia a dia na agricultura, com passeios a cavalo, almoços e cabanas para pouso. Antes da pandemia, até bailes gauchescos e recepção de cavalgadas eram organizados no local.
As belas paisagens e contato com a natureza são possibilidades da experiência oferecida pela Rota das Oliveiras que através das visitações organizadas, abrem espaço para os turistas conhecerem o local considerado a maior área plantada de oliveiras do estado, onde existem 233,3 hectares de produção de olivas para a fabricação de azeites, além de ser uma das principais produtoras com 605 hectares plantadas atualmente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019.
Canguçu: turismo rural e pandemia
Em tempos não pandêmicos, o município é palco de muitas festas que ocorrem, principalmente no interior, atividade que agrada não só os jovens, mas os mais velhos que gostam de eventos dançantes durante o dia.
Mas como a situação mundial foi se alterando devido ao coronavírus, adaptações no turismo precisaram ser feitas e algumas estratégicas modificadas no recebimento dos visitantes. Seguindo os protocolos previstos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os empreendedores estão recebendo turistas há alguns meses com as devidas restrições de capacidade.
O Sítio Pedra do Luar – Rampa de Voo Livre – está em pleno funcionamento, os demais pontos turísticos citados precisam de agendamento para organização dos passeios. Somente o Sítio das Ervas e Propriedade Vida da Terra ainda não retornaram à funcionalidade normal.
“A gente analisou município a município como evoluiu o estoque de empregados”, disse hoje (11) à Agência Brasil o economista da CNC Fabio Bentes. Foi considerado o período de julho de 2020, quando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) começou a registrar saldos positivos, depois da primeira onda da pandemia do novo coronavírus (covid-19), até fevereiro de 2022.
Em um ranking dos 20 municípios que mais geraram vagas de emprego, em termos relativos, os pesquisadores da CNC observaram que 15 deles são polos turísticos ou polos produtores e exportadores de commodities. “Dos 20, dez são turismo, como Porto Seguro (BA), Araruama (RJ), Balneário Camboriú (SC), entre outros”. Em termos de commodities, predominam os municípios com atividade de mineração.
Destaques
De acordo com a sondagem, Canaã dos Carajás (PA) foi o município com maior variação positiva de ocupações no mercado de trabalho formal durante o período: 66%, ou o equivalente à criação de 7.370 vagas. Já as quatro cidades nas posições seguintes do ranking são localidades com vocação turística: Porto Seguro (BA) registrou avanço de 52% (10.019); seguido por Vacaria (RS), com 44% (7.164); Araruama (RJ), com 39% (5.019); e Ipojuca (PE), com 37% (7.452). As commodities agrícolas também foram destaques nos municípios de Pederneiras (SP), com elevação de 23% dos postos de trabalho (2.590) e Santo Antônio de Jesus (BA), também registrando avanço de 23% (4.152), nos quais predominam as produções de açúcar e citricultura, respectivamente.
Segundo Fabio Bentes, a conclusão é que o efeito da retomada da economia, depois das fases mais agudas da pandemia, privilegiou municípios produtores de commodities e, no caso do turismo, setor que mais sofreu na pandemia, observou-se que, nesse momento, tende a acumular a geração de postos de trabalho nos últimos 20 meses, e é o que tem se recuperado de forma mais evidente. “Foi o que mais apanhou durante a pandemia, mas em compensação, e justamente por conta disso, é o que tem mais potencial de regeneração do mercado de trabalho”, disse Fabio Bentes.
O economista disse que olhando pelo Caged, o mercado de trabalho brasileiro gerou, nesse período de 20 meses, mais de 4,44 milhões de vagas, o que demonstra avanço de 12% no estoque de todos os municípios. “Mas a gente teve municípios com taxa de crescimento de 70%, 50%, 40%. Ou seja, um indício de que, passadas as fases mais agudas da pandemia, o turismo, de certa forma, está conseguindo se regenerar”.
Bentes destacou que o setor ainda não voltou a empregar a mesma quantidade de pessoas que empregava antes da pandemia, da ordem de 3 milhões de trabalhadores em atividades turísticas. Hoje, está na casa de 2,8 milhões.
“É um setor que tem potencial de recuperação, mas por conta da deterioração das condições econômicas, como inflação alta, juros altos, determinados serviços com preço variando de forma significativa tendem a colocar um freio nessa tendência de recuperação. Sai de cena a crise sanitária e entra em cena essa deterioração das condições econômicas. Daí o Índice de Preços ao Consumidor Amplo [IPCA] de 11%, que prejudica o setor de turismo”, explicou.
O economista não descartou, entretanto, que o número de empregados contratados pelo setor de turismo retorne a patamares anteriores à pandemia. Mas tudo vai depender da melhora da economia, do não surgimento de uma nova onda da covid-19.
Fabio Bentes disse que após a criação de 2,76 milhões de vagas em 2021, ano em que a economia brasileira cresceu 4,6%, a perspectiva de avanço mais modesto do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, da ordem de 0,5%, deverá levar à geração de menos postos de trabalho. Diante desse cenário, a CNC projeta para este ano saldo positivo de 1,61 milhão de vagas de trabalho formais.
Fonte: Agência Brasil
