Canguçu, sábado, 7 de março de 2026
Menu

“Isca de raiva” é escolhida como palavra do ano por dicionário britânico

Expressão descreve conteúdos criados para provocar indignação nas redes sociais e reflete o clima digital que marcou 2025


A forma como as pessoas consomem e reagem aos conteúdos nas redes sociais ganhou um novo rótulo em 2025. A expressão “isca de raiva”, tradução do termo inglês rage bait, foi eleita a palavra do ano pela Oxford University Press, responsável pelo tradicional Oxford English Dictionary.

O termo se refere a publicações feitas de maneira intencional para despertar irritação, revolta ou indignação em quem navega pelas plataformas digitais. A estratégia tem como objetivo aumentar comentários, compartilhamentos e visualizações, explorando reações emocionais intensas para impulsionar o engajamento online. De acordo com a editora do dicionário, o uso da expressão cresceu de forma significativa ao longo dos últimos 12 meses.

A escolha superou outros dois finalistas: aura farming, expressão que indica a construção calculada de uma imagem carismática ou misteriosa nas redes, e biohack, termo usado para práticas que buscam otimizar o corpo e a mente por meio de hábitos, suplementos ou tecnologias. As palavras passaram por votação popular antes da decisão final dos especialistas em linguagem.

Segundo a Oxford, embora o nome seja recente, a prática descrita pela “isca de raiva” já faz parte do cotidiano de quem utiliza redes sociais. O mecanismo lembra o conhecido clickbait, mas com uma diferença central: em vez de apelar apenas para a curiosidade, o foco está em provocar emoções negativas para manter a atenção do público.

Para o presidente da Oxford Languages, Casper Grathwohl, o destaque do termo revela uma maior consciência coletiva sobre como as emoções vêm sendo usadas para capturar atenção no ambiente digital. Ele aponta que a internet deixou de se apoiar somente na curiosidade e passou a explorar sentimentos mais intensos, como a indignação, para influenciar comportamentos.

A palavra escolhida em 2024, brain rot, já havia sinalizado o cansaço mental causado pelo consumo excessivo de conteúdo em redes sociais. Para Grathwohl, os dois termos se conectam: a indignação gera engajamento, os algoritmos ampliam esse efeito e, com o tempo, o excesso de exposição resulta em esgotamento psicológico.

Além da Oxford, outros dicionários também divulgaram suas escolhas para 2025. O Cambridge Dictionary apontou “parassocial”, termo que define a sensação de proximidade com figuras públicas desconhecidas pessoalmente. Já o Collins Dictionary escolheu vibe coding, prática em que pessoas criam aplicativos ou sites descrevendo ideias para uma inteligência artificial, em vez de escrever o código manualmente.

As escolhas reforçam como a linguagem acompanha, ano após ano, as transformações culturais, tecnológicas e emocionais da sociedade conectada.