Aula inaugural do Pronera na UFPel provoca críticas de setores produtivos
Evento da 6ª Turma de Medicina Veterinária gerou repercussão após discurso contra o agronegócio.
A aula inaugural da 6ª Turma Especial de Medicina Veterinária do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), realizada na última segunda-feira (22), na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), gerou ampla repercussão ao abordar a necessidade de “combater o agronegócio”. O evento contou com a parceria da universidade, do Pronera e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A repercussão foi imediata. Entidades acadêmicas, lideranças políticas e representantes do setor produtivo se manifestaram criticando o discurso. Os Diretórios Acadêmicos de Agronomia, Zootecnia e Engenharia Agrícola emitiram notas oficiais contrárias à abordagem apresentada durante a aula. Deputados federais da região, como Daniel Trzeciak (PSDB) e Afonso Hamm (PP), também usaram suas redes sociais para expressar discordância.
Em resposta às críticas, a UFPel divulgou nota oficial reafirmando seu compromisso com a pluralidade e a formação crítica dos estudantes. “Cumprimos nossa função social: formar profissionais capazes de analisar e debater temas relevantes e complexos para a sociedade brasileira, incluindo diferentes modelos de produção no campo, sempre respeitando a diversidade de perspectivas”, declarou a universidade.
O episódio também provocou posicionamentos de organizações do setor agropecuário. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL) manifestou preocupação com a iniciativa, considerando que estimular ataques ao agronegócio, setor essencial para a alimentação de milhões de brasileiros, contribui para a polarização ideológica no país.
De forma similar, a Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) destacou “inquietação” com o evento, criticando o lema da Jornada Universitária pela Reforma Agrária, que classificou como excludente. “O agronegócio brasileiro não é inimigo: é parte essencial da vida de cada brasileiro, da alimentação diária às divisas que sustentam a economia. Demonizar esse setor ignora milhões de trabalhadores comprometidos com tecnologia, sustentabilidade e responsabilidade social”, afirmou o presidente da Febrac, Marcos Tang.