Canguçu, sábado, 7 de março de 2026
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Assembleia Legislativa questiona leilão de bens da Cosulati após audiência com produtores

Encontro reuniu mais de 120 agricultores e debateu os efeitos da autoliquidação da cooperativa sobre cerca de 2.600 associados e a economia da Zona Sul


A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul decidiu colocar sob questionamento o leilão de bens da Cooperativa Sul-Riograndense de Laticínios (Cosulati) após a realização de uma audiência pública que reuniu mais de 120 produtores rurais. O debate abordou o processo de autoliquidação da cooperativa, que envolve aproximadamente 2.600 associados, e seus reflexos econômicos e sociais na Zona Sul do Estado.

A audiência ocorreu nesta semana por iniciativa do deputado estadual Dr. Thiago Duarte (UB), diante das preocupações apresentadas pelos produtores quanto às dívidas deixadas pelo espólio da cooperativa e às consequências diretas para famílias e municípios da região.

Durante o encontro, agricultores relataram prejuízos expressivos. Muitos afirmaram ter realizado investimentos significativos, como a construção de aviários e fábricas, além da aquisição de gado leiteiro, com o objetivo de atender à demanda da cooperativa. Com a liquidação, parte desse patrimônio foi perdida.

Com o acúmulo de dívidas, alguns produtores enfrentam a penhora de imóveis. Municípios de pequeno porte também registraram impactos negativos, com redução na arrecadação, a exemplo de Morro Redondo e Capão do Leão. Advogados que representam os agricultores sustentam que há elementos jurídicos para contestar a autoliquidação e suspender o leilão dos bens, além da existência de interesse de um empresário do setor leiteiro na aquisição do parque fabril da antiga Cosulati.

Ao final da audiência, foi defendida a ampliação do debate com a participação de deputados federais e a realização de uma audiência em Brasília, junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Segundo o deputado Dr. Thiago Duarte, os relatos apresentados motivaram a decisão da Assembleia Legislativa de colocar em suspeição o leilão dos bens da cooperativa na região de Pelotas.

Os depoimentos colhidos, bem como a ata da audiência pública, serão encaminhados ao TST, ao Tribunal de Justiça, ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Estadual para as devidas providências.