Memória esculpida: Monumento ao Imigrante reforça a identidade rural de Canguçu
Símbolo da cultura pomerana e alemã, monumento inaugurado em 1979 eterniza a contribuição dos imigrantes para o desenvolvimento rural do município, celebrado neste 25 de julho, Dia do Colono e Motorista.
Neste 25 de julho, quando se celebra o Dia do Colono e do Motorista, Canguçu exalta sua vocação rural ao relembrar o Monumento ao Imigrante — carinhosamente chamado de Monumento ao Colono. Inaugurado em 22 de julho de 1979, o conjunto de esculturas homenageia os imigrantes alemães e pomeranos que contribuíram para lançar as bases econômicas e culturais do município, hoje reconhecido como a Capital Nacional da Agricultura Familiar.
Localizado às margens da avenida 21 de Abril, junto ao trevo de entrada da cidade e rodeado pela Praça Hilmar Nornberg Pinz, o monumento chama atenção não apenas pela imponência, mas também pela riqueza simbólica. Projetado e executado por Hildo Paulo Müller, a obra retrata com fidelidade a vida no campo: um homem conduzindo o arado puxado por bois, uma mulher semeando a terra e outro lavrador carregando um cesto, que representa tanto a semeadura quanto a colheita.
Inspirado em uma estrutura semelhante existente em Santa Cruz do Sul, o monumento de Canguçu inovou ao destacar a figura feminina no contexto da agricultura, refletindo o modo de vida pomerano, no qual homens e mulheres partilham o trabalho no cultivo da terra. Essa presença feminina curvada, lançando sementes ao solo, simboliza não só o esforço físico, mas também a esperança no futuro e a continuidade da vida rural.
Construído em alvenaria, com detalhes em azulejo e lantejoulas de cerâmica, o monumento é também uma espécie de janela para o passado. Em tempos de mecanização, ele convida o visitante a observar uma cena congelada no tempo: a labuta manual de quem deu início à ocupação produtiva do interior do município, que hoje abriga cerca de 14 mil pequenas propriedades — o maior número da América Latina.