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Geisa Coelho: Somos a engrenagem que faz o nosso município crescer

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Comemoro o 162º aniversário de Canguçu a minha moda, lendo. E encontrei algumas figuras distantes a quem poderíamos chamar de heróis. São homens e mulheres anônimos que defenderam essas terras, desbravaram matas enfrentaram a força da natureza manifestada no clima, no ataque de homens e de animais. Essas pessoas nos impeliram a ser quem somos hoje.

Sabemos pouco sobre nós. E ignorando o que fomos,sufocamos a história e cultura locais e cedemos à idolatria de símbolos e costumes de outras culturas sem restrições. Eu, mesma nunca gostei de ter uma onça como símbolo.  Criancice, pirraça minha, porque a onça Acanguaçu é um dos símbolos mais autênticos do país. E é bonita! E ela estava aqui convivendo com indígenas quando os açorianos chegaram. Eu, não estava!

Bonita também é a flora que cobre esta região; nossas terras são aráveis e produtivas, o clima é estável, mas só percebemos isso quando enfrentamos um incidente climático; os canguçuenses são honrados e empreendedores e invejável é nossa produção agrícola, assim como o comércio que sobressai na região.E, às vezes, não percebemos essas qualidades.

De vez em quando olhamos para Canguçu como quem olha para um rascunho de cidades mais estruturadas. Cidades dos sonhos como Londres ou Nova Iorque tiveram mais tempo para adequar-se e resolver seus problemas e mesmo assim os têm.

Mergulhemos na Princesa dos Tapes tal como ela é. Conheçamos a Capital da Agricultura Familiar, o Maior Minifúndio da América Latina e veremos nossos familiares e amigos trabalhando muito em busca de crescimento. Acham exagero?

Vamos lá: as autoridades daqui, literalmente sem terno e gravata, estão prontas para o enfrentamento da tirana burocracia e até trabalho braçal na limpeza e revitalização das praças; os professores, ansiosos, buscam formação para dividir com alunos e comunidade; milhares de homens e mulheres rurais sustentam a economia da cidade; o comércio atraente, se reinventa diariamente e gera milhares de empregos; centenas de operários da construção civil ampliam a cidade cotidianamente; vários coletivos transportam canguçuenses que se deslocam a Pelotas em busca de conhecimento e profissionalização;e os funcionários da saúde, especialmente os do Hospital, passaram por necessidades básicas para manter o atendimento de saúde básico à população. Fechemos os olhos e imaginemos tudo isso. É, ou não, um município vivo?

Temos problemas, sim. E os piores (drogas e crimes) vêm de fora.

Em tempos de descrença geral e generalização da baixa estima é preciso que nos enxerguemos como a engrenagem que faz o nosso município crescer. Se houve heróis no passado, nós somos os heróis do presente.

É preciso ver o município como quem se olha no espelho, o que quer que vejamos será o nosso reflexo.

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