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Geisa Coelho: Sobrevivência, a difícil missão da mulher no Brasil

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Sobrevivência: a difícil missão da mulher no Brasil

O mundo mudou, dizemos constantemente sem maiores reflexões. E mudou mesmo, desde que não consideremos as tradicionais formas de fazer política, baseadas na corrupção, e a maneira como o homem trata a mulher. Esses aspectos nos remetem à Idade Média tal é o grau de violência instituído nas relações.

Mesmo tendo conquistado legalmente novos espaços (trabalho, lazer, artes, participação política), as mulheres ainda carregam o pesado fardo que é manter, quase sempre sozinhas, o controle da natalidade, a casa limpa, organizada e abastecida, tampouco deixaram de ser responsabilizadas pela e educação dos filhos e pelo término das relações afetivas ou abusivas.

Como a Janeti, personagem do livro “Quatro Negros” de Luís Augusto Fischer, geralmente as mulheres são agregadoras, arraigadas aos vínculos familiares, focados no bem comum e decididas. Assim foram acumulando tarefas que as levaram à fadiga. Segundo um estudo francês, o índice é de 20,8% de alto estresse entre mulheres de 30 a 39 anos de idade, versus 2% para homens da mesma idade. Por reagirem ao estresse de forma diferente a dos homens por questões biológicas o público feminino fica mais vulnerável às fobias e a depressão, resultado provável do acúmulo das várias funções.

Sobrecarregadas devido às desumanas funções cobradas pela sociedade as mulheres ainda enfrentam a violência doméstica, reação primitiva dos homens que elas mesmas geraram e educaram na era pós-moderna. Com a 5ª maior taxa de feminicídio do mundo, paradoxalmente o Brasil é um país que, apesar de leis pontuais, não protege as mulheres do arcaísmo dos homens. Por que, queridos leitores?

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