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Eliézer Timm: Panorama do cenário Econômico e Rural de Canguçu

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Nos últimos anos, a economia vem passando por dificuldades em vários setores. Os economistas apontam como uma das maiores crises na história recente do Brasil. Na contramão, o agronegócio manteve-se estável e até apresentou índices satisfatórios nesses períodos de queda da economia, principalmente puxado pela soja.

Contudo, se os números da produção satisfizeram ganhos na composição do Produto Interno Bruto (PIB), a manutenção do produtor no campo mostrou outro cenário. Com a expansão territorial e produção em larga escala, as exigências de mão de obra numerosa foram sendo eliminadas com o passar da década. O terreno foi cedendo espaço para um mercado cada vez mais exigente em aumento de produtividade com baixo custo.

No Rio Grande do Sul, o cenário mostrou um fator preocupante, pois o agronegócio representa cifras significativas para os anseios da composição do PIB Gaúcho. Com a redução do volume populacional, a manutenção da agricultura poderá sofrer sequelas irreversíveis no abastecimento alimentício no longo prazo. O último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017 no RS divulgou que uma entre cinco pessoas abandonaram o meio rural entre o período de 2006 ate 2017.

O fato que chama mais atenção é que Canguçu lidera a lista no RS, seguido por: Pelotas, Rio Pardo, Candelária Venâncio Aires, Viamão, Santa Cruz do Sul, dentre outros. Ainda a apuração identificou que houve um aumento da desocupação de pessoas vivendo no meio rural de aproximadamente 22% entre 2006 e 2017. O Censo mostrou também que, em sua maioria, eram pessoas com menos de 30 anos.

Especialistas apontam que o tabaco e a fruticultura (grande participação na composição do PIB do Município) estão perdendo espaço para a monocultura da soja, a qual apresentou um aumento de mais de 700% na área plantada da ultima década. O Tabaco, principal produto agrícola produzido nos limites do município, está perdendo forças ao longo da última década. A área plantada reduziu mais de 23%, ocupando uma área de 9.000 hectares hoje, antes atingindo pouco mais 11.000 hectares. E esses números podem ser ainda mais preocupantes, se não houver medidas pontuais para a manutenção e fixação das famílias no campo.

A economia busca compreender esses acontecimentos e estimar possíveis cenários. E um deles é correlacionar o capital físico ao índice de produção. Por mais que avance a tecnologia, o trabalho humano sempre será um fator produtivo indispensável para ajustar a produção de acordo com as exigências de demanda. E a alimentação sempre será um bem essencial para a sociedade, não importando o quão avançada seja a economia.

Precisamos criar mecanismos consistentes para viabilizar a canalização da comercialização dos produtos oriundos do campo. Se o tabaco organizou e facilitou boa parte da produção e sua comercialização durante a década, devemos buscar uma equidade no sistema para direcionar esse aprendizado para outras culturas. Pois muitos especialistas apontam que uma das razões para o desestímulo dessas “fugas do campo” é resultado da falta de existência de um mercado garantido.

As sobras acabam tornando-se um custo insustentável e as dívidas acabam criando uma barreira natural para a produção seguinte. Assim, se Canguçu quiser continuar com o título de “Capital da Agricultura Familiar”, precisa buscar soluções de curto prazo, pois as contribuições com técnicas de cultivos são passadas por gerações, contribuindo para a produtividade na produção e impossíveis de serem impostas imediatamente para tal finalidade.

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