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Denis Bubolz: Eu sei o que é uma frustração de safra

Dá vontade de abandonar tudo e fazer outra atividade. Talvez ir para a cidade e contribuir
ainda mais com o êxodo rural. É de desanimar mesmo. Frustrações de safras são muito
pesadas para um agricultor. É aquilo pelo qual lutamos o ano todo e, ao final, não temos o
resultado esperado.

Apesar de nunca ter sido agricultor, efetivamente, passei boa parte da minha vida envolvido
com o meio rural devido a profissão que escolhi. Nasci e cresci na cidade. Meus amigos, quase  em sua totalidade, eram urbanos. Convivi parte da minha infância e adolescência com eles, tendo forte influência sobre minhas decisões e pensamentos. Mesmo assim, aprendi, desde cedo, com meu pai, a sempre respeitar e, mais do que isso, admirar os trabalhadores rurais de nosso município.

Aos 18 anos formei-me na Escola Agrícola. Local onde pude crescer muito em conhecimentos
na agricultura e pecuária. Foi onde me apaixonei pela área de extensão rural. Setor ao qual
atuo há 17 anos. Mesmo tendo uma infância e juventude marcada pelo movimento e as luzes
da cidade, foi a pujança e o desenvolvimento do campo que me atraíram para uma profissão
que tenho muita satisfação de desempenhar.

Talvez, caro leitor, você esteja se perguntando: ‘e como que o Denis sabe o que é uma
frustração de safra? Ele nunca foi um produtor rural. Nunca vivenciou isso “na pele”’.
Realmente, na forma literal de plantio e colheita, como um agricultor, nunca. Entretanto, tive
muitas frustrações em que me comparo aos produtores rurais desta última safra, em nosso
município.

Minha esposa Amanda e eu buscamos a paternidade, desde 2013. Tivemos 7 perdas de
gravidez, em 7 anos. Sempre na sétima semana. Ou seja, uma por ano, assim como a
frustração de safra de um agricultor. Fizemos várias tentativas com médicos em clínicas de
fertilização, em Pelotas, Porto Alegre e São Paulo, com alto valor investido em tratamentos,
cirurgias, medicações, injeções, viagens, etc.. Tudo isso para tentar resolver um problema ao
qual não descobrimos durante este tempo todo.

Os problemas não paravam somente no campo da medicina, mas também no psicológico,
emocional, financeiro, entre tantos outros. A cada perda, um novo aprendizado. Um novo
fôlego. Uma nova esperança que se renovava. Muitas vezes, o que nos restava, era chorar e ir
dormir, de tamanho cansaço que nos abatia.

Entretanto, 2020 nos reservou uma grande surpresa. E quero compartilhar com vocês. Minha esposa engravidou em meados de abril, meio sem querer. Estávamos temendo uma nova perda, mas, com o passar do tempo, fomos aumentando as esperanças de que desta vez teríamos nossa vitória. E foi o que aconteceu. Hoje, a Amanda está com quase 6 meses de gestação, ou seja, passamos do período crítico das fatídicas 7 semanas. Estamos esperando um menino, ao qual colocamos o nome de Martin.

Por isso, amigo produtor rural, quero aqui deixar minha mensagem de renovação de esperança a você. Não desista de sua atividade. Procure resolver os problemas que estão em suas mãos. Apesar de o clima não ter sido favorável na última safra, não quer dizer que vai ser sempre assim. Busque informações. Procure boa orientação técnica e profissionalize sua atividade.

Para finalizar, gostaria de deixar a frase na qual utilizei em minha primeira coluna no Canguçu On Line: ‘o vento que sopra contra, também sopra a favor’. Um forte abraço e vamos em frente.

O campo não para!

Foto: Kesia Lemke

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