Abono salarial do PIS/Pasep terá novas regras a partir de 2026 e limite de renda será corrigido pela inflação
Mudança faz parte do pacote fiscal aprovado pelo Congresso e deve reduzir, ao longo dos anos, o número de trabalhadores aptos a receber o benefício.
O abono salarial do PIS/Pasep — benefício anual de até um salário mínimo destinado a trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos — passará por mudanças significativas a partir de 2026. As novas regras fazem parte do pacote fiscal aprovado pelo Congresso no fim de 2024 e buscam tornar o programa mais focalizado e sustentável.
Atualmente, têm direito ao abono os profissionais que trabalharam ao menos 30 dias no ano-base, receberam até dois salários mínimos mensais e cumprem os demais requisitos do programa. Porém, a partir de 2026, o limite de renda deixará de acompanhar o reajuste do salário mínimo e passará a ser atualizado somente pela inflação medida pelo INPC.
Na prática, o novo formato deve reduzir gradualmente o número de pessoas contempladas. Estimativas oficiais apontam que, até 2035, apenas trabalhadores com renda de até um salário mínimo e meio no ano-base devem seguir elegíveis.
O que muda?
Até 2025, as regras permanecem as mesmas: são contemplados os trabalhadores que, no ano-base 2023, receberam até dois salários mínimos — equivalente a R$ 2.640. O valor do abono é proporcional ao tempo trabalhado e tem como referência o salário mínimo vigente no ano de pagamento.
A partir de 2026, porém:
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O limite de renda não acompanhará mais os reajustes do salário mínimo.
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O índice usado para reajustar o teto será apenas o INPC.
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O salário mínimo continuará a ter ganho real, mas isso não afetará o critério de acesso ao abono.
Com a mudança, trabalhadores que antes se enquadrariam no benefício poderão, com o passar dos anos, ultrapassar o novo limite de renda, mesmo sem aumento real de salário.
Por que a mudança foi feita?
O governo argumenta que o abono precisava de revisão para garantir sustentabilidade fiscal. Como o salário mínimo é corrigido pela inflação somada ao crescimento da economia, o número de beneficiários vinha aumentando a cada reajuste — impactando os cofres públicos.
Ao atrelar o critério exclusivamente à inflação, o governo busca manter o benefício para quem tem menor renda, evitando a expansão contínua de gastos.
Regras básicas continuam iguais
Apesar da mudança no teto salarial, os demais critérios para acessar o benefício permanecem:
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Estar inscrito no PIS ou Pasep há pelo menos cinco anos;
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Trabalhar com carteira assinada por 30 dias ou mais no ano-base;
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Receber até o limite de renda determinado para o período;
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Ter informações corretas enviadas pelo empregador ao eSocial ou à RAIS.
Calendário de pagamentos e consultas
O calendário oficial de 2026 deve ser divulgado em dezembro pelo Codefat. Em 2025, cerca de 25,8 milhões de trabalhadores receberam o abono, totalizando R$ 30,7 bilhões em pagamentos.
Os trabalhadores podem consultar sua elegibilidade pelos seguintes canais:
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Carteira de Trabalho Digital: na aba “Benefícios”, em “Abono Salarial”;
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Caixa Trabalhador e Caixa Tem (para trabalhadores do setor privado).
O prazo final para saque dos valores referentes a 2025 vai até 29 de dezembro.