Audiência pública em Canguçu debateu novo modelo de pedágios no Polo Rodoviário de Pelotas
Alto valor das tarifas, lucros da concessionária e falta de investimentos foram pontos centrais do encontro que reuniu comunidade, autoridades e entidades regionais
Na noite desta quinta-feira (18), a Câmara de Vereadores de Canguçu recebeu a audiência pública promovida pela Frente Parlamentar em Defesa de um Novo Modelo de Pedágio no Polo Rodoviário de Pelotas, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O encontro reuniu comunidade, lideranças políticas e entidades representativas da região Sul para discutir alternativas ao atual modelo de concessão das rodovias.
O Polo Rodoviário de Pelotas reúne 457,3 km de rodovias sob concessão, abrangendo trechos da BR-116 e BR-392. Atualmente, a tarifa para veículos leves custa R$ 19,60, podendo chegar a R$ 273,80 para caminhões. Apesar da cobrança elevada, nenhum investimento relevante foi realizado pela concessionária, sendo que a duplicação da BR-116 está em fase final de execução pelo governo federal.
Ainda assim, no fim de 2023, os acionistas da empresa receberam R$ 101,6 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio. O contrato de concessão vigente expira em março de 2026, tornando urgente a definição de um novo modelo.
O presidente da Frente Parlamentar, deputado estadual Zé Nunes (PT), realizou um breve histórico da pauta, destacando as dificuldades enfrentadas até o momento e a necessidade de construir coletivamente um modelo mais justo de concessão:
Estamos diante de um contrato que vence em 2026 e que, até aqui, não entregou os investimentos prometidos, mas garantiu lucros milionários aos acionistas. O que defendemos é um novo modelo de concessão, construído com a sociedade, que assegure tarifas justas, transparência e efetivas melhorias para a região Sul.
O prefeito de Canguçu, Arion Braga (PP), enfatizou sua indignação em relação ao alto preço cobrado, considerado um dos mais caros do Brasil. Por outro lado, lembrou ainda o impacto econômico que a falta de uma nova concessão pode gerar ao município:
“Como prefeito, tenho que me preocupar, também, no que tange à perda de arrecadação de R$ 3 milhões ao ano”, afirmou.
O presidente da Câmara de Vereadores, Jardel Oliveira (PP), também destacou a mobilização regional e a importância de a comunidade participar ativamente do debate, bem como as manobras que a concessionária tem feito para atenuar a gravidade da pauta:
“A concessionária tenta amenizar a gravidade da situação, mas a realidade é que a população segue pagando uma das tarifas mais caras do país sem ver os investimentos necessários. Este não é um problema apenas de Canguçu, mas de toda a Zona Sul. Precisamos estar mobilizados para não sermos pegos de surpresa, como a população foi pega na origem desse contrato. O ideal seria não ter pedágio, pois a região foi penalizada durante décadas com esse pedágio abusivo, mas que se tenha um modelo que não penalize os trabalhadores, os usuários, e os setores produtivos.”
Entre as autoridades presentes estavam o deputado estadual Pedro Pereira (PSDB), o vice-prefeito do Capão do Leão, além de vereadores de São Lourenço do Sul e São José do Norte, bem como representantes do sindicato dos transportes e de empresas de logística, que reforçaram a necessidade de mudanças no sistema atual.