Apenadas de Guaíba produzem bolsas para a indústria calçadista no projeto Mãos que Reconstroem
Termo de cooperação firmado com empresa de calçados proporciona aprendizado e renda para 20 mulheres privadas de liberdade
O governo do Estado tem intensificado os esforços para diversificar as opções de trabalho dentro das unidades prisionais, uma prática considerada fundamental para a reinserção social de apenados. O mais recente termo de cooperação, com a Indústria de Calçados e Bolsas Guaíba, uma empresa terceirizada da Beira Rio Calçados, entrou em operação no dia 1° de agosto na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba (PEFG). Lá, 20 mulheres privadas de liberdade estão tendo a oportunidades de aprender não apenas um ofício, mas de redefinir o cárcere.
Para o secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, o sistema prisional não é um depósito de pessoas, mas um local que precisa ressignificar vidas. “Estamos falando aqui de mulheres que possuem habilidades, talvez antes desconhecidas, e vontade de mudar. Estamos falando de uma chance real de ganhar conhecimento e mudar o rumo das suas histórias e de suas famílias. É uma parceria que muito nos orgulha, e que merece também o reconhecimento pelo trabalho que é realizado pela Polícia Penal e por esta grande empresa, que apostou nessas mulheres e nessa iniciativa, que é a Beira Rio”, disse.
Preparação para o trabalho
A parceria com a empresa calçadista começou a ser alinhavada em novembro de 2024 por meio do Departamento de Tratamento Penal (DTP), setor subordinado à Polícia Penal, vinculada da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS). Depois de ultrapassadas questões técnicas para a instalação do maquinário, as apenadas começaram o período de aprendizado, que se estendeu até a última semana de julho.
O treinamento é necessário, segundo explica a diretora da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, Fernanda Kersting, não somente para ensinar o que precisam fazer, mas porque muitas delas nunca trabalharam. “São mulheres que sempre estiveram à margem da sociedade e que agora estão aprendendo a confeccionar bolsas. Algumas das que receberam essa oportunidade estão recolhidas há muito tempo. Foi ótimo ver que muitas, desde o primeiro dia, abraçaram o projeto. Saíram de uma rotina de 2 horas de pátio e 22 horas de cela para 8 horas efetivamente trabalhando, aprendendo e sendo desafiadas.”
Em Guaíba, o termo de cooperação, com validade de cinco anos, prevê atividades de acabamentos de calçados em couro e fabricação de bolsas. As 20 mulheres recebem, mensalmente, 75% do salário-mínimo, além de remição de pena de um dia a cada três trabalhados.
Fonte: Governo do RS