Canguçu, quarta-feira, 11 de março de 2026
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RS lidera ranking das CNHs mais caras do país

Levantamento aponta custo médio de R$ 4.951,35; valor é quase R$ 3 mil acima do estado mais barato.


O Rio Grande do Sul ocupa o topo do ranking nacional dos estados com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) mais cara, segundo levantamento do Instituto Nexus. Para obter o documento na categoria AB (moto e carro), o gaúcho desembolsa, em média, R$ 4.951,35 — valor que, para muitos, transforma um direito em privilégio. Mato Grosso do Sul (R$ 4.477,95) e Santa Catarina (R$ 3.906,90) aparecem na sequência. No extremo oposto, a Paraíba oferece o menor custo do país: R$ 1.950,40.

De acordo com o Ministério dos Transportes, a CNH é mais do que um documento: representa “uma chave para o desenvolvimento pessoal e profissional”, possibilitando mobilidade, oportunidades no mercado de trabalho e maior independência. Porém, o preço elevado é apontado pela pasta como um dos principais entraves para a população de baixa renda.

A pesquisa realizada pelo governo federal confirma a percepção de que o custo pesa no bolso: 80% dos brasileiros consideram o processo caro ou muito caro, enquanto 66% afirmam que o valor não condiz com a qualidade do serviço prestado. Entre os cidadãos com renda familiar de até um salário mínimo, o índice de pessoas sem habilitação chega a 81%. Nas regiões Nordeste e Norte, as taxas também são expressivas — 71% e 64%, respectivamente.

O levantamento do Instituto Nexus, que traçou o perfil do condutor brasileiro, mostra que 20 milhões de pessoas dirigem sem habilitação e que 32% ainda não se habilitaram devido ao custo. Quase metade (49%) dos condutores não habilitados afirma que o preço é o principal motivo para não regularizar a situação, o que, segundo especialistas, traz implicações diretas na segurança viária e na inclusão social.

Mesmo em estados onde o valor é menor, como na Paraíba, o modelo de formação de condutores ainda acaba deixando de fora grande parte da população. Para muitos brasileiros, a CNH segue sendo um sonho distante, adiado por um custo que, em média, pode ultrapassar a metade da renda anual de famílias de baixa renda.

Imagem: Reprodução / Senatran