Audiência na Câmara dos Deputados discute posição do Brasil na COP 11 e alerta para impactos na cadeia produtiva do tabaco
Encontro reuniu parlamentares, lideranças regionais e representantes do setor fumageiro, que defendem equilíbrio nas decisões para evitar prejuízos a milhares de famílias produtoras.
A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados promoveu, na tarde da quarta-feira (9), uma audiência pública para discutir o posicionamento que o Brasil deverá adotar na 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 11), agendada para novembro, em Genebra, na Suíça. O debate reuniu parlamentares e representantes da cadeia produtiva do tabaco, que destacaram os riscos de prejuízos sociais e econômicos caso o país leve uma postura mais restritiva ao evento internacional.
Mais cedo, durante a manhã, a Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) já havia promovido uma mobilização no Auditório Freitas Nobre da Câmara, com a participação de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, além de lideranças do setor. A atividade reforçou a importância econômica, cultural e social da produção de tabaco para centenas de municípios, especialmente da região Sul.
A cadeia produtiva do tabaco está presente em mais de 500 municípios, beneficiando diretamente cerca de 140 mil famílias agricultoras. Na safra 2023/2024, o Brasil produziu 541 mil toneladas da cultura, com geração de R$ 12 bilhões em renda — a maior dos últimos dez anos. O país é líder mundial nas exportações do produto, tendo enviado mais de 455 mil toneladas ao mercado externo somente em 2024.
Durante a audiência, deputados e representantes dos produtores enfatizaram a necessidade de uma abordagem equilibrada na COP 11, para evitar medidas que possam comprometer o sustento de milhares de famílias. Atualmente, estima-se que mais de 40 mil empregos diretos e outros 600 mil indiretos estejam ligados à cadeia do tabaco, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Entre os presentes, estiveram o prefeito de Canguçu, Arion Braga (Progressistas), e os vereadores Diego Wolter (MDB), Mauro Silveira (MDB) e Marcelo Maron (PL).